Quinta-feira, Setembro 15, 2005

PARABÉNS FAYGA


"A intuição movia as mãos delicadas de Fayga Ostrower, pintora, desenhista e gravadora, que morreu numa quarta-feira de 12 de setembro de 2001, aos 81 anos, vítima de câncer.
Além de deixar uma obra respeitável, seu maior legado foi uma técnica pessoal que valorizava os mínimos gestos, transformados em pontos determinantes da existência artística. Nascida em Lodz, na Polônia, em 1920, filha de família judia, ela chegou ao Brasil em 1934, naturalizando-se em seguida. Começou os estudos artísticos na década de 40, quando se identificou com o expressionismo, forma que lhe permitiu exercitar sua crítica à condição social dos menos favorecidos.
Na década seguinte, interessou-se pelo abstracionismo, no momento em que defender a nova forma significava lutar pela modernização das artes plásticas.
Sua dedicação garantiu-lhe o Prêmio Nacional de Gravura na Bienal de São Paulo, em 1957, o que atraiu a atenção especialmente da crítica internacional.
No ano seguinte, foi premiada em Veneza, época em que já ensaiava deixar o branco-e-preto e aderir aos trabalhos coloridos, que expandiram sua criação.
Depois da Itália, expôs na Alemanha, Estados Unidos Argentina, Inglaterra, Espanha e União Soviética. Ao mesmo tempo em que consolidava seu estilo criativo, Fayga Ostrower dedicava-se com afinco ao ensino das artes. Seu método, porém, não se limitava à simples transmissão de informação, mas procurava desenvolver e incitar a criação de um olhar crítico.
Decidida a democratizar a linguagem artística, chegou a dar aulas para operários de uma fábrica carioca.
Fayga escreveu ainda livros sobre a história da arte, em que percorreu da pré-história até o século 20.
Em mensagem enviada à família, o então ministro da Cultura do Estado de São Paulo, Francisco Weffort, elogiou sua dedicação:
"Sua preocupação com os processos de criação artística a levou a escrever obras sobre o tema, bem como sobre teoria da arte e análise crítica." "
"Criar é tão difícil ou fácil como viver. E é do mesmo modo necessário." Fayga O.